Quinta-feira, Março 11, 2010

. Das viagens .


foto: monica montone by baby b.


Quantas noites mal dormidas num hotel estranho são necessárias para que se perceba que os sonhos mudaram?

Quantas ruas sujas e abandonas é preciso percorrer até que se entenda que tudo está em seu perfeito lugar?

Quanto dinheiro é preciso ofertar ao guardador de carro, ao vendedor de terço, ao tocador de atabaque, ao pai de santo, ao orixá, para que se tenha certeza de que nada de mal vai acontecer entre o aqui e o lá?

Cidades outras são poço sem fundo. Podemos encontrar nelas o que tínhamos esquecido, coentro e salsinha no feijão, além do desejo de vir a ser.

Ninguém volta o mesmo de uma viagem. Seja ela uma romaria em Pirapora, uma peregrinação em Santiago de Compostela, uma semana e meia de amor na cosmopolita São Paulo ou quatro dias na Bahia de São Salvador.

Certas viagens nos fazem enxergar claramente que se faz urgente uma mudança, ainda que seja no corte de cabelo. Outras nos fazem ter a dimensão de que estamos exatamente onde queremos estar.

Foi em Salvador - cidade que amo e sempre visito quando posso - que me dei conta de que a minha vida pode não ser um conto de fadas, mas nem por isso precisa ser um fado.

Foi em Salvador que entendi que não há cidade melhor no mundo para eu morar do que o Rio de Janeiro. Que a companhia dos baianos é sagrada e não tem preço. Que amei ainda mais o homem que ri das mesmas coisas que acho graça e que me senti plenamente abençoada e grata pela vida que tenho.

E por fim, foi lá, na terra de todos os santos, que assisti pela primeira vez na televisão, na MTV, ao meu videoclipe, que agora apresento a vocês, aves raras, com muita alegria, orgulho e carinho.

Espero que gostem.

Evoé! Saravá! Namastê! Amém! Jaya! Salamanguê! Axé!






para ouvir faixas do meu disco, aqui
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[obrigada pela visita, raros, pelos pousos, carinho e torcida! ]


by Mônica Montone

Segunda-feira, Março 01, 2010

. Cinema americano .

foto: google



Luz, câmera, divagação:

Jack nunca poderia partilhar sua vida com April e Frank jamais ousaria entregar-se a Rose.

Porque para Roses e Jacks a vida não é o que se espera que ela seja, mas o que se sente enquanto se vive. Ao passo que para Franks e Aprils a vida é tão somente a sobra do que ela poderia ter sido.

Os opostos podem até se atrair, mas somente os iguais se repelem ao ponto de precisarem desesperadamente um do outro para terem a falsa sensação de que existir é o bastante.

Uma casa com jardim florido no subúrbio. Um navio em alto mar.

O cinema americano adverte:

Quem se habituou a ovos mornos e mexidos num café da manhã dominical em família certamente não aceitará um convite a Paris. Não adianta tentar....


by Mônica Montone



F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o a brincadeira acima foi escrita depois que assisti Foi apenas um sonho, filme protagonizado por Leonardo Dicaprio e Kate Winslet , que também estiveram juntos em Titanic. O filme é bonito, emocionalmente denso e a interpretação dos atores é um show a parte, excelente. Mas cuidado, se estiver numa relação morna melhor pensar duas vezes antes de assistir... ou não... Tá passando no Telecine.

A.l.e.g.r.i.a - g.e.r.a.l : meu clipe vai estrear na TV no próximo sábado, 06/03. Que alegria! Quem quiser assistir basta ligar na MTV das 11h às 13h. Urru!






A.g.r.a.d.e.c.i.m.e.n.t.o.s obrigada a minha doce irmã Ka Montone, pela presença em minha vida, pela colaboração na criação dos objetos de cena dos meus trabalhos e pelo selinho acima. Obrigada a ave rara Amanda, que também deixou um selinho de presente para o canteiro. E se alguém ofertou selinho e não vi ou agradeci, fica aqui o meu pedido de desculpas, mas meus dias andam corridos e com isso não estou conseguindo brincar na blogosfera como gosto.


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[obrigada a todas as aves raras pelo carinho e pouso no canteiro]


by Mônica Montone

Sexta-feira, Fevereiro 26, 2010

. dos motivos .

foto: monica montone by rogério felício


Ansiedade sem razão de ser.

Uma vontade de gritar, de não fazer nada e fazer tudo ao mesmo tempo.

Uma espera inadequada de não sei quê.

Uma dificuldade de respirar.

Muitos suspiros sem açúcar ou explicação.

Quanto mais ansiosa ficava, mais fumava.

Até que decidi parar [de novo!].

A ansiedade permanece, mas agora quando suspiro de aflição, digo e repito:

_ Você está apenas sentindo falta do cigarro! Esquece...

Dito isto, vivo bons momentos de trégua, já que descolei um motivo.

E assim sigo os dias, enganando a mim mesma, fingindo que acredito que essa inquietação não passa de abstinência....


by Mônica Montone

o vídeo é cafoninha, mas adoro essa versão da música:




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[obrigada pelos pousos e paciência com minhas ausências, pessoas queridas que sempre pousam por aqui]



by Mônica Montone

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010

. BBB além do que se vê na TV .


foto: google



Desde que o Big Brother Brasil 10 começou tenho dito no Twitter que os comentários sobre o programa me fazem morrer de rir e que são melhores que programa em si.

Algumas frases são dignas de publicitários renomados, tamanha a criatividade.

Mas além de rir bastante, acompanho, com certo espanto, pessoas se agredindo frontalmente porque são a favor ou contra o brother X.

Geralmente são pessoas engajadas em campanhas pela paz, pela salvação da Amazônia, pelos direitos iguais, com ensino superior completo, mas que agridem escancaradamente aquele que pensa diferente.

Somos seres contraditórios por natureza, paradoxais e repletos de incongruências e é exatamente isso tudo o que nos torna singulares dentro desse mundo cão.

Mas o que nos dá o direito de achar que nossa verdade é melhor que a do outro? Por que chamamos de ‘estúpidos, burros, idiotas, medíocres e imbecis’, aqueles que pensam e agem diferente de nós?

Por que damos ‘unfollow’ no Twitter quando alguém manifesta uma opinião contrária a nossa?

E isso também vale para o futebol [onde as pessoas matam nos estádios], partidos políticos, escolas de samba, religião, etc.

Acusamos os Estados Unidos de etnocentrismo porque bombardeiam países do Oriente Médio, mas ofertamos palavras bombásticas para os que não pensam como nós. Ou seja, o etnocentrismo está em nosso quintal e sequer nos damos conta disso.

Sei não, mas creio que muito mais importante do que defender ou pichar o programa, do que defender o brother X ou Y, ou saber se eles são falsos, homofóbicos, fofoqueiros, é perceber nossas próprias reações ante os produtos que a nossa cultura oferece.

Porque são nossas ações que constroem a sociedade enquanto ela nos constrói. Trata-se de um processo dialético.

Trocando em miúdos: quer mudar o mundo? Comece por você!


by Mônica Montone

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[obrigada pelos pousos, hoje e sempre!]


by Mônica Montone

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010


Segunda-feira, Fevereiro 15, 2010

.Cervejal .


imagem: google


Faço samba e amor o ano inteiro, por isso não entendo as pessoas que se embriagam no carnaval e agem como se fossem morrer amanhã.

A impressão que tenho quando saio nas ruas é que estou dentro de uma propaganda de cerveja: rodeada de alegria comprada e fake.

Ou alguém que ‘bebe todas’ consegue ficar lindo e sorridente como nos comerciais?

As pessoas que ‘bebem todas’ no mundo real ficam chatas, falam alto, enrolam a língua, ficam descabeladas e de maquiagem borrada [no caso das meninas!] e barrigudas. Não conheço um cervejeiro [a] de plantão que tenha a barriga de tanquinho estampada nos comerciais. Isso quando não choram.

Nada contra quem bebe sua cervejinha vez ou outra. Eu não bebo, prefiro champanhe.

O que lamento demais é perceber que todas as propagandas de cerveja atualmente são voltadas para o público jovem e que passam mensagens subliminares de que a alegria só pode ser completa se houver uma latinha na mão.

Que adolescente que vê um comercial onde todos estão numa festa sem fim, pulando na piscina, beijando na boca, dançando, correndo com os amigos na praia, não vai querer um universo igual?

Segundo uma pesquisa realizada pela Unifesp os jovens estão começando a beber cada vez mais cedo, entre 13 e 14 anos, e esse comportamento é atribuído às campanhas publicitárias. Saiba +

Nem vou entrar no mérito dos danos que o consumo precoce de álcool pode causar num adolescente em formação...

O que gostaria de saber é por que diabos o carnaval, que antes era uma brincadeira gostosa, virou uma reprodução tosca de um comercial de cerveja?

Hoje em dia é praticamente impossível pensar em carnaval sem associá-lo a cerveja.

Não digo nada se daqui algumas décadas não mudarem o nome da festa popular para ‘cervejal’ ou ‘carnaveja’.

Sei não, mas quando começo a pensar nessas coisas, acho, mesmo, que não passamos de ‘carneirinhos a espera do corte’....


by Mônica Montone


E já que ainda é carnaval e não 'cervejal', um sambinha lúdico que amo e me faz lembrar meu avô e minha avó:







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[Obrigada pelos pousos, aves raras, e axé para o show. O lançamento do clipe foi lindo! Quando estiver disponível na rede coloco aqui. ]



by Mônica Montone

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

. Para se amar de amor.

foto: google



Para se amar de amor é preciso primeiro amar a si mesmo.

Só ama de amor aquele que conhece os próprios abismos e não espera encontrar no colo do outro um paradeiro para as suas quedas.

É preciso aceitar os próprios defeitos e acolher com zelo de mãe a dúvida de não saber-se junto ao peito.

É preciso encontrar um meio de sorrir mesmo quando a tempestade se anuncia.

Para se amar de amor é preciso um bocado de alegria e tardes vazias para serem preenchida com beijinhos e colheradas de brigadeiro.

É preciso aceitar que o outro existe independentemente de você e que você existe independentemente dele.

É preciso jogar no lixo toda e qualquer vaidade ou necessidade vã de controlar o incontrolável: a vida do outro.

Para se amar de amor é preciso um bocado de inteireza e beleza nos olhos para não punir as manhãs que despertam cinza.

É preciso não culpar o outro por nossas falhas e faltas.

Para se amar de amor é preciso falar baixinho, porque o amor, como os passarinhos, foge diante de qualquer grito.

Para se amar de amor é preciso amar sem esperar nada retribuição.

Para se amar de amor é preciso estar inteiro, porque quem ama a ilusão de que o outro é a parte que faltava, não ama de amor, mas sim a idéia de estar completo.

Só ama de amor aqueles que sabem que o amor não é um encontro, mas um acontecimento.


by Mônica Montone





F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o o texto acima foi inspirado no poema do Vinícius de Moraes, 'Para se viver um grande amor' e na minha música 'Te amo de amor', musica esta que acaba de ganhar um clipe que será lançado dia 9 de fevereiro, no Cinematheque, em Botafogo, às 21h. Espero vocês lá! Para ouvir a música basta clicar, aqui


C.o.n.v.i.t.i.n.h.o


Local: Cinematheque

Data: 9 de fevereiro, terça-feira

Horário: 21h

Endereço: Voluntários da Pátria, 53, Botafogo
Ingresso: R$20/ lista amiga R$15


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[ Obrigada pelos pousos, aves raras, e carinho e paciência com minhas ausências, estou realmente enrolada por aqui, mas saudosa, como sempre! Amo vocês de amor! ]



by Mônica Montone

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

.Alice.


foto: capricho


Se Alice eu fosse teria aprendido com o chapeleiro que tentar decifrar adivinhações sem resposta não é perda de tempo, mas sim uma maneira de entreter o Deus menino.

Não me apurrinharia com as aparições e desaparições de certos gatos e, como ela, não me culparia por guardar no peito seus sorrisos.

Se Alice eu fosse não bancaria a jardineira que tenta esconder seus defeitos como aqueles que pintam rosas brancas de vermelho.

E teria aprendido com a duquesa que ‘somente pássaros da mesma cor voam juntos para onde for’ e talvez tivesse me tornado aquilo que parecia ser.

Saberia que toda tristeza é falsa, assim como os suspiros da tartaruga falsa e jamais me permitira sentir tanto medo ao ponto de esquecer meu próprio nome.

Entenderia, por fim, após um breve encontro com a marmota, porque sou assim: porque vim do poço do melado, de onde saem todas as coisas que começam com a letra M.

Me alegraria por demais com as coisas sem sentido, pois teria ouvido da própria boca do rei que as coisas sem sentido evitam um grande problema: o de procurar sentido nas coisas!

Se Alice eu fosse seria exatamente o que sou: uma menina maravilhada por tudo aquilo que vê, ouve e pressente.


By Mônica Montone



F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o escrevi esse texto após a leitura do livro Alice no país das maravilhas e fiquei maravilhada com a edição de luxo da Cosacnaify. Confira, aqui

C.o.n.v.i.t.i.n.h.o quinta-feira, 14 de janeiro, às 11h, estarei na rádio Transamérica, ao vivo, para uma entrevista, dá para ouvir por aqui, ó

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[ obrigada pelos pousos, aves raras, um ano dourado para nós! ]



by Mônica Montone

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