Terça-feira, Novembro 03, 2009

. Um pé de não sei quê .

foto: Mônica Montone


Plantei um pé de flor na manhã que não terminou. Manhãs que foram paridas com cheiro de madeira verde e fresca nos ouvidos e um solo de baixo no ventre da noite nunca terminam.

Mesmo que você feche os olhos num sono fingido elas fazem cócegas em seus pensamentos como o riso frouxo de uma criança que desconhece todo e qualquer perigo.

Manhãs que nunca terminam são, por certo, o melhor abrigo para quem deseja descansar do mundo.

São elas, também, crianças. Curumins que te fazem lembrar certas brancuras que por descuido e necessidade vã de borrar a vida acabamos esquecendo.

Para quê tanta tinta quando tudo o que se quer é o aconchego de um velho e branco sorriso?

Borramos nossos lençóis com lágrimas de amor perdido. Borramos nossas roupas na sarjeta das impossibilidades. Borramos nossas unhas tentando tocar o que não está ao nosso alcance. Borramos as canções, quando insistimos em certas trilhas.

Borramos o leite com café, a folha com a palavra, o arroz com o feijão, como se as cores pudessem nos livrar de certas ausências.

Plantei um pé de flor na manhã que não terminou não por querência ou anseio de eternizá-la, mas porque qualquer palavra ante sua beleza poderia parecer descuidada.

Um pé de não sei quê. Um pé de não sei quê que não garante fruto doce, nem azedo. Que não garante sequer a segurança do fruto no momento da fome. Mas um pé de não sei quê que te faz regressar para o melhor de todos os perfumes: você.

[ para Flávio Rossi ]


by Mônica Montone
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[ obrigada pelos pousos, aves raras. Estou viajando, por isso, a ausência por aqui e por acolá ]


by Mônica Montone

Terça-feira, Outubro 27, 2009

. pessoa pública .

foto: marilyn


Sou contra essa idéia de que artistas são ‘pessoas públicas’. Toda pessoa que respira, freqüenta praças, restaurantes e supermercados, tem um celular [e fala sobre sua vida na frente de qualquer um!] e acesso à Internet é ‘pessoa pública’.

A diferença entre pessoa-pública-artista e pessoa-pública-qualquer-outra-profissão é que no caso da pessoa-pública-artista parece haver um interesse maior acerca de sua ‘vida exótica’[ o que veste, o que come, onde foi, com quem].

Fato é: ser pessoa-pública-artista às vezes é um saco!

É um saco quando você não está a fim de ir a uma estréia e só vai para retribuir a gentileza da pessoa que foi a sua estréia.

Quando você não pode mais sair de casa toda descabelada e de chinelos porque na próxima esquina pode trombar com um possível-parceiro-de-trabalhos-futuros e, como você é seu próprio cartão de visitas, é bom estar impecável.

É um saco à décima potência quando as pessoas criam uma imagem de você que você sabe que é errônea mas nada pode fazer em relação a isso.

Tem muita gente por aí que deve achar que eu sou uma máquina de fazer sexo, por exemplo. Nunca ousaram me dizer isso, mas que deve ter, deve. Uma garota que vive intensamente os seus desejos e que ao primeiro tesão se joga nos braços de alguém por conta da maneira franca, aberta e natural com que falo sobre os meus desejos ou, por conta de trocar de figurino no palco, no meio do show, e até mesmo, por que não, por ter interpretado uma personagem nos palcos cariocas de uma mulher ‘dadeira’.

Lamento em decepcionar os que pensam assim, mas o gozo, para mim, é sagrado e só é possível ante o encantamento, ante a paixão. Roberto Freire dizia que ‘sem tesão não tem solução’, eu, diria que sem paixão não tem tesão. Ou seja: o sexo é apenas uma conseqüência. Nunca sequer beijei por beijar. Só beijo a boca de quem vale a pena e de quem me desperta algo além dos cinco sentidos. Caso contrário, nada feito.

Outra coisa que é um saco na vida da pessoa-pública-artista é ter que dar uma entrevista um dia depois de você ter chorado horrores por conta de um problema pessoal. Não tem corretivo que dê jeito.

E é um saco maior ainda quando você não está numa maré boa de trabalho mas tem que vender a impressão de que está tudo OK. Afinal, a platéia quer acreditar que ‘estar tudo bem, SEMPRE’ é possível e realiza essa projeção em você, pessoa-pública-artista.

Mais o maior saco de todos é ficar o tempo todo provando para um possível patrocinador que você é bom, que o trabalho é bom e que vale a pena ele investir. Você se sente pior que uma puta, bem pior, porque as putas vendem o corpo e recebem na hora e você está vendendo sua alma, ali, ou seja, suas telas, seus textos, sua música e nem sabe se vai receber.

Ser uma pessoa-pública-artista é o céu e o inferno ao mesmo tempo.

É o céu quando você cria. Quando atua. Quando está no palco e sente que sua energia se conectou com algo maior. Quando alguém te abraça após um show e diz que sua música trouxe alegria, ou, que um texto seu mudou sua vida. Quando você recebe um cachê gordo. Quando morre de rir com as bobagens que diz e escuta nos camarins. Quando conhece pessoas queridas. Quando conhece cidades diferentes por conta do seu trabalho.

Mas todo o resto é um inferno. E o inferno dos infernos é a constatação de que você não tem, nunca teve, nem nunca terá controle sobre o que os outros pensam sobre você e que esses outros podem ser maus, muito maus, pois eles não ousam falar sobre o seu trabalho – porque geralmente não o entendem - mas sobre você e detalhe: na maioria da vezes eles estão a mais de 1000.000 km de você.

É... É preciso ter peito, muito peito para se tornar uma pessoa-publica-artista nos dias de hoje.

Será que é por isso que as atrizes tem botado tanto silicone?


by Mônica Montone

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u.p.d.a.t.e: acabei de saber que o canteiro ganhou esse prêmio de 'melhor blog' da Gazeta dos Blogeiros. Fiquei feliz! Obrigada!!!



[ obrigada pelos pousos, aves raras, é sempre bom saber que existem pessoas gentis e elegantes como vocês nesse mundão cão de meu Deus... ]



by Mônica Montone

Terça-feira, Outubro 13, 2009

. Vergonha .

foto: google imagem

Curando a vergonha que impede de viver. ‘Com um título desses, vergonha é passar no caixa da livraria’, foi o que pensei ao comprar o livro de John Bradshaw.

E não é que o livro fora escrito por um psicólogo, teólogo, filósofo e antropólogo? E não é que todas as suas explicações são fundamentadas na gestalt, na psicologia sistemica e na psicanálise?

Senti vergonha por ter julgado o livro pela capa, ou melhor, pelo título.

Entre outras coisas, Bradshaw explica que a vergonha é o sentimento que nos torna humanos, pois ao sentirmos vergonha nos damos conta de que somos imperfeitos e por isso não somos Deus.

Porém, segundo ele, existem dois tipos de vergonha. A vergonha saudável, que nos ajuda a perceber certos erros para que possamos corrigi-los e assim até preservar a nossa vida em alguns casos, e a vergonha tóxica.

O autor explica em 347 páginas que vivemos numa cultura perversa e perfeccionista que nos leva constantemente ao desapontamento e por conseqüência à vergonha tóxica:

“Nossas famílias, religiões, escolas e cultura estão baseadas em sistemas perfeccionistas e o perfeccionismo é a principal causa da vergonha tóxica. O perfeccionismo nos prepara para sermos avaliados, o que por sua vez nos prepara para um perpétuo desapontamento” p. 339

E é exatamente para banir o desapontamento que, ainda na infância, o nosso ego se fragmenta e cria disfarces que são usados na vida adulta como a busca pelo poder e controle, raiva, arrogância, crítica e culpa, inclinação para julgar e moralizar, desprezo, tomar conta de alguém, inveja, satisfazer aos outros, comportamentos compulsivos viciadores, etc.

No entanto, quanto mais nos escondemos sob esses disfarces mais no tornamos uma “criança adulta”, ou seja, um adulto que nunca consegue satisfazer suas necessidades primordiais.

“Os adultos fazem com que o que obtêm seja suficiente e se esforçam para conseguir mais na vez seguinte. A criança adulta não consegue obter o suficiente porque o que está em jogo, na verdade, são as necessidades da criança”, p. 50

Mas para Bradshaw o que mais alimenta a vergonha tóxica numa criança [ com reflexos na vida adulta] é o abandono. Não necessariamente o abandono literal, mas o abandono de suas necessidades primevas, sendo estas: “privação de carinho, privação narcisista [espelhamento], vinculação a fantasias, negligência das necessidades de dependência e desenvolvimento e enredamento do sistema familar”, p. 70

A vergonha tóxica geralmente é passada de pai-para-filho, uma espécie de hereditariedade, segundo Bradshaw, pois uma pessoa com base de vergonha e baixa auto-estima transmitirá sem perceber seus horrores à criança.

O autor cita muitos filósofos, poetas, escritores renomados e psicólogos no decorrer do livro, porém sua narrativa é simples e muitas vezes se desenrola na exemplificação de seus casos clínicos.

Ex-viciado em álcool, John Bradshaw trata com freqüência sobre os vícios, especialmente o alcoolismo, e acredita que todos eles são fruto da vergonha tóxica gerada pelo abandono.

Tudo muito interessante até a parte II, quando o capítulo “A solução” se apresenta. É a partir deste capítulo que o título Curando a vergonha que impede de viver se torna o que parecia predestinado a ser: auto-ajuda. Ou, quase auto-ajuda. Digo quase porque 90% dos exercícios propostos são fundamentados na gestalt terapia, porém é difícil de engolir páginas e páginas com “feche os olhos, respire, imagine que está diante de sua criança interior”...

Vale a leitura! É catarse na certa! Certamente você vai descobrir um tantão de vergonha tóxica dentro de si. Eu descobri e chorei um bocado. Por fim, acabou sendo “auto-ajuda”, mas, se até a Arte pode ser considerada auto-ajuda - se levarmos em consideração que ela salva os que criam e os que a contemplam – por que um livro não poderia exercer tal função?


By Mônica Montone



Curando a vergonha que impede de viver
John Bradshaw
Ed. Rosa dos Tempos
347 páginas
Preço R$48,00


Abaixo, alguns fragmentos do livro:

“Sentir vergonha significa ser visto de uma maneira exposta e inferiorizada”.

“Talvez o aspecto mais profundo e devastador da vergonha neurótica seja a rejeição do eu pelo eu”.

“Não podemos curar o que não conseguimos sentir”

“Inteligência é aquilo que fazemos quando não sabemos o que fazer” [John Holt]

“Qualquer preocupação mental pode nos distrais dos nossos sentimentos”

“Aprendemos o perfeccionismo quando somos valorizados pelo o que fazemos e não pelo o que somos”.

“Ou nos tornamos miseráveis ou nos tornamos fortes. A quantidade de trabalho é a mesma” [Castaneda]

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[ obrigada pelos pousos, aves raras e uma ótima semana para todos nós! ]

by Mônica Montone

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

. Coisas da idade .


foto: google


É importante reconhecer e aceitar a idade que se tem. Caso contrário corremos o risco de ficarmos mais patéticos que os galãs de terceira idade das novelas das oito.

Aceitar a idade que se tem requer coragem. Não a coragem de assumir possíveis rugas e falhas no meio do caminho, mas a coragem de admitir que alguns sonhos eram apenas sonhos, mesmo, e que seus lugares, são, hoje, a garagem da casa da vovó.

Descobri que tenho 13 anos e confesso que ainda estou um pouco atordoada com essa descoberta. Meninas de 13 anos sempre ficam atordoadas com suas descobertas, afinal.

Não me formei em jornalismo, como pensei que seria, mas aprendi com muitos namorados jornalistas que tive que ‘fatos são incontestáveis’.

Então, vamos a eles.

Eu gosto de Shakira e paro qualquer coisa que estiver fazendo para assistir Meninas Malvadas quando reprisa na TV. Aliás, adoro filmes de teenagers que se passam em escolas e que tem o grupo das fodonas e o grupo dos nerds. Assisto desenho animado para dormir tomando todynho e tenho camisolinhas de bichinhos, para ser mais específica, joaninhas.

Adoro canetas cheirosas, borrachas em formato de coração e bloquinhos cor-de-rosa. Durmo abraçada com uma almofada em formato de lua - que já foi costurada um milhão de vezes - há anos.

Vivo achando que tenho que ter respostas para tudo e quando me apaixono sempre acho que foi a primeira e a última vez.

Eu danço na frente do espelho com o som no último volume imaginando que estou numa festa ‘irada’ e que encontrei ‘certos camaradas’ a quem ignorei prontamente.

Quando estou triste passo o dia na cama vendo TV e comendo brigadeiro de colher.

Tudo comigo é para ontem. É para ontem ou agora-ou-nunca.

Gosto de ler a revista Gloss e acabo de colocar um piercing de argola no nariz.

Uso mini-saia rodadinha, calcinhas pequeninas de lacinhos, batom de moranguinho e sou capaz de passar hooooras conversando com uma amiga sobre o mesmo assunto: os meninos. Ou melhor, O menino.

Falo o que penso, muitas vezes sem pensar nas conseqüências e quando a coisa aperta ligo para a minha mãe chorando.

Faço birra de bater o pezinho quando me dizem ‘não’ e como diz a Kelly Key “se tem uma coisa que me deixa bolada é gritar comigo sem eu ter feito nada”.

O duro tem sido conciliar minha idade com a bagagem adquirida: um diploma em Psicologia, alguns livros publicados, um disco de rock and roll recém lançado, a paixão por Sartre, Billie Holiday, Picasso, Degas, Borges, Louis Armstron e Baudelaire. O hábito de usar sapatos caros, pérolas e espartilhos. O gosto pelo champanhe, pelo bourbon, Almodóvar e Woody Allen. O amor ao teatro. Os museus visitados em viagens invejadas.

Quem sabe quando eu fizer 14 anos, ano que vem, eu aprenda.


by Mônica Montone


F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o um dos maiores presentes que ganhei de aniversário foi o convite da rádio Oi FM para participar do projeto Oi novo som. Quem não conseguiu assistir ao vivo pela web agora pode assistir ao show que fiz na rádio, aqui





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[ Obrigada aves raras pelo carinho no dia do meu aniversário! Obrigada a todos que mandaram e-mails, recadinhos no twitter, orkut e afins. Ando com saudade de brincar na blogosfera! Paciência com essa mocinha de 13 aninhos que vos fala.... ]



by Mônica Montone

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

. a louca do castelo .

foto: paolo roversi


Quando eu crescer vou ser igual a louca do castelo.

Vou usar tamancos de salto alto o tempo inteiro, até mesmo para ir ao banheiro, e vou cuspir a comida que não me agradar no chão.

Vou usar jóias para ficar em casa e viver mais descabelada que nunca.

Vou usar cinta-liga rosa-bebê por debaixo do vestido longo e sentar de perna aberta quando bem entender. Vou falar palavrão, comer com a mão e só dar bom dia para quem realmente eu quiser que tenha um bom dia.

Vou gritar até ficar rouca quando for contrariada e vou quebrar a casa inteira dos que não responderem minhas cartas.

Vou chamar a criadagem para dançar e expulsar o rei do trono.

Vou fumar cigarrilha numa piteira dourada durante as madrugadas e beber rum até cair deitada sobre o tapete persa.

Não vou pedir licença para roubar o que quero. Não vou esperar a hora certa para agir, nem vou recuar quando o tempo fechar.

Vou dar pão de mel aos pobres e beber groselha com as crianças de rua.

E vou ficar nua para todo e qualquer plebeu que disser ‘sou seu’.

Vou falar o que me der na telha e dizer o que penso de certas pessoas em suas próprias fuças.

Vou dormir em lençóis de seda e mandar flores para os homens que eu beijar.

Mas só quando eu crescer e o vestido da princesa encolher, deixando a bunda da minha alma de fora.

Por ora, continuo apenas tentando saber quantos anos vou fazer no próximo sábado?! Talvez 13, não sei bem....



By Mônica Montone



F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o a festança de comemoração do meu aniversário será na terça-feira, 06/10, às 23h e todos vocês estão convidados!!

Será no Zero-Zero da Gávea, na festa Araka. Vou comemorar no palco, fazendo um show com minha banda e curtindo a festa depois, e vocês, pessoas raras que moram no Rio, serão para lá de bem vindas. Garantam o nome na lista amiga [ingresso pela metade do preço: R$15] escrevendo para monicamontone@yahoo.com.br

E o presente maior que ganhei? Um convite para participar do projeto Oi novo som da Rádio Oifm.

Na segunda, 05/10, às 19h, estarei no estúdio da rádio com minha banda fazendo um show e dando entrevista e o melhor de tudo? Será transmitido na íntegra, inclusive com imagens, pelo site e depois algumas músicas tocarão na rádio, pelo 102,9fm. Não deixem de assistir, aves aras, basta acessar http://www.oifm.com.br/ ou http://www.oinovosom.com.br/ na segundona às 19h



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by Mônica Montone

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

. no rastro do sonho .


foto: mônica montone


Há tempos um poema não me despertava durante um sonho. Escrever no rastro do sono é como se lembrar do que nunca esquecemos de fato. Por isso sempre tenho papel e caneta ao lado da cama, para evitar que eu esqueça o que sempre soube.

Mas saber, nem sempre é bom, porque quando sabemos somos obrigados a fazer algo em relação a... Nem que seja cometer um poema anêmico rimando as mesmas ausências de sempre.

Ausências estas que não servem mais para fazer companhia em noites de insônia, que não mais alimentam expectativas com o glacê rosa do delírio consentido e que já não passam de costume.

Se a gente se acostuma com o fim do mundo, por que não se acostumaria com a quinquilharia que algumas ausências deixam em nós e que jogamos para debaixo de tapetes imaginários?

Eu queria que as coisas fossem mais simples! Simples como uma manhã de domingo onde tudo o que você quer é um bom disco na vitrola, duas pedras de gelo no copo, um chinelo nos pés e um cheiro bom vindo da cozinha.

Mas eu sempre estou querendo colocar pingo de i em y. Mas eu sempre estou querendo rasurar o que não entendo como se eu fosse uma caneta vermelha e o mundo um livro mal escrito.

Por isso, aqui, nunca é domingo - o que não tem a menor importância para quem benze os próprios desejos com saliva. E eu benzo, benzo e ainda digo ‘Deus te crie, já que eu não posso criar’...

Do poema parido no rastro do sonho, nada tenho a dizer. Talvez ele faça companhia às demais alegorias que enfeitam o avesso do meu tapete imaginário.


By Mônica Montone


F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o, em gente que coloca pingo de i em y e rasura o que não entende como se fosse uma caneta vermelha, apresento a vocês [ se é que já não conhecem] o querido Baia, cantor e compositor que tive a oportunidade de conhecer e que traz de volta um je ne sais quoi de Raulzito e inspirou, de certa forma, o texto acima. Ele canta a tolice nossa de cada dia como ninguém, confiram, abaixo:






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by Mônica Montone

Terça-feira, Setembro 22, 2009

. Detesto a dra. Veruska .



foto: marilyn


Definitivamente ser chique não tem absolutamente nada a ver com dinheiro: estou aqui, chiquérrima-da-silva sem fumar, cheirando a Ange ou démon, e com o cartão de crédito estourado.

‘Vai, compre! Afinal você está sendo uma boa menina e merece um presente por parar de fumar’. Compre, parcele em 3 vezes. Vai sair aquele cachê e você vai conseguir pagar depois, pode comprar’.

Algumas roupas, sapatos, livros, discos, bolsa, óculos escuros, lingeries e almoços em lugares descolados, depois, descobri, lendo Calvin numa livraria, que o meu cérebro estava tentando me matar. Sim, porque se eu não pagar o cartão de crédito os juros altíssimos triplicarão a fatura e eu vou querer cortar os pulsos.

Dra. Veruska, a psicóloga que me habita, reparando o meu comportamento, disparou:

_ Minha filha, o que é que você está querendo compensar? Acha mesmo que vai solucionar o seu vazio existencial com fumaça de cigarro, ou, na ausência dela, entulhando o guarda-roupas de coisas que você não precisa?

Detesto a dra. Veruska.

By Mônica Montone




F.a.l.a.n.d.o n.i.s.s.o há dois restaurantes descolados que amo, o Celeiro, no Leblon, e o Gopala, em Sampa, quem curte comida vegan tem que conhecer.

E para quem está estranhando as mudanças do blog, deixo o convite para ler uma entrevista onde explico estas e outras *cositas más*, aqui




na vitrola . e . no . repeat : break up




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[ obrigada pelos pousos, aves raras, aqui e acolá no piu-piu, semana de bons ventos... ]


by Mônica Montone

Sábado, Setembro 19, 2009

. dia de presente .

capa da Vogue Mônica Montone by Rogério Felício

Muito mais do que me dar presentes, gosto de me dar ‘um dia’ de presente. Li em algum pára-choque da vida que o tempo é o melhor regalo para os que não tem medo de gastar suas salivas benzendo sonhos.

Pois bem, sempre que me dou ‘um dia’ de presente cumpro um mesmo ritual: visto uma roupa que amo, meto um sapato de salto nos pés, faço um make-up suave, borrifo meu perfume predileto e vou para a livraria Letras&Expressões.

A livraria não é a melhor, tampouco a mais bonita do Leblon, mas é a única que também funciona como ‘banca de jornal de luxo’ e que permite que a clientela leve qualquer revista para ser lida no café - que fica num mezanino charmosérrimo no segundo andar - sem precisar comprá-las.

Passo horas dentro da livraria lendo revistas, tomando chás [não gosto de café!] e comendo bolo de cenoura com cobertura de chocolate. As minhas prediletas: Vogue e Bravo. As detestáveis: Boa forma, Cláudia, Nova. As que leio só quando estou com saco: Veja, Época e Isto é.

Engana-se quem acha que as revistas de moda, voltadas para o público feminino, falam somente sobre tendências - como aniquilar as sobrancelhas, eis a próxima, ui! - ou sexo - dando dicas de como enlouquecer um homem na cama; eu sei: não dando para eles! – ou dietas.

Nas minhas últimas leituras, por exemplo, descobri uma banda que simplesmente não consigo parar de ouvir - e de querer que ela sirva de trilha sonora para a próxima noite de sexo com você! – a Beirut.

Quase morri de ódio por não ser uma estrela internacionalmente conhecida, daquelas que tem jatinho próprio e pode ir a NY para conferir as últimas do MoMA e voltar no dia seguinte, entre as últimas, a homenagem a Kandinsky [65 anos de sua morte] que vai rolar nos próximos meses e a mostra The Erotic Objetic: surrealist sculpture from the collection. Esta, dizia uma das revistas que li [??], fora inspirada nas teorias de Freud sobre a sexualidade, porém, no site do museu, nada consta. Ops!

Que mais? Ah, descobri que a queridinha do Woddy Allen, a gatíssima Scarlett Johansson, é cantora e andou gravando disco com Pete Yorn. E não é que o disco é bom!? Ouvi lá mesmo na livraria e me lembrou um pouco uma banda dos anos 70 que gosto muito, chamada Big Star.

Li bizarrices sobre o twitter, como ‘Lucas Lima, o senhor Sandy, twittou a lua-de-mel inteira e fez atualizações diárias em seu blog sobre dicas de livros, filmes e afins’. Ã?

E claro, aprendi a fazer novos make-ups.

Eis um ‘dia de presente’ perfeito: livraria, revistas – muitas! - e depois uma passadinha na farmácia da esquina para comprar pequenos mimos como esmaltes, buchas coloridas, gloss, sabonete líquido. Locadora. Filme – indico Romance, de Guel Arraes, o melhor filme brasileiro que vi nos últimos tempos. Banho quente.

E você, o que gosta de fazer quando se dá um dia de presente?



by Mônica Montone


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by Mônica Montone

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