
Quantas noites mal dormidas num hotel estranho são necessárias para que se perceba que os sonhos mudaram?
Quantas ruas sujas e abandonas é preciso percorrer até que se entenda que tudo está em seu perfeito lugar?
Quanto dinheiro é preciso ofertar ao guardador de carro, ao vendedor de terço, ao tocador de atabaque, ao pai de santo, ao orixá, para que se tenha certeza de que nada de mal vai acontecer entre o aqui e o lá?
Cidades outras são poço sem fundo. Podemos encontrar nelas o que tínhamos esquecido, coentro e salsinha no feijão, além do desejo de vir a ser.
Ninguém volta o mesmo de uma viagem. Seja ela uma romaria em Pirapora, uma peregrinação em Santiago de Compostela, uma semana e meia de amor na cosmopolita São Paulo ou quatro dias na Bahia de São Salvador.
Certas viagens nos fazem enxergar claramente que se faz urgente uma mudança, ainda que seja no corte de cabelo. Outras nos fazem ter a dimensão de que estamos exatamente onde queremos estar.
Foi em Salvador - cidade que amo e sempre visito quando posso - que me dei conta de que a minha vida pode não ser um conto de fadas, mas nem por isso precisa ser um fado.
Foi em Salvador que entendi que não há cidade melhor no mundo para eu morar do que o Rio de Janeiro. Que a companhia dos baianos é sagrada e não tem preço. Que amei ainda mais o homem que ri das mesmas coisas que acho graça e que me senti plenamente abençoada e grata pela vida que tenho.
E por fim, foi lá, na terra de todos os santos, que assisti pela primeira vez na televisão, na MTV, ao meu videoclipe, que agora apresento a vocês, aves raras, com muita alegria, orgulho e carinho.
Espero que gostem.
Evoé! Saravá! Namastê! Amém! Jaya! Salamanguê! Axé!
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