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Não é exatamente o olhar do outro que nos constitui. Trata-se de uma troca.
Você se imagina e se vê - ou se sente - como X. Transmite essa idéia para o outro através de seus comportamentos e esse outro a devolve como um espelho e, com essa devolução, você vai moldando sua ‘identidade’.
Trata-se de um processo dialético, onde o produto final é sempre modificado pelo todo. Ou seja, sua identidade [o produto final] jamais será igual a idéia que você transmitiu, e o espelho jamais devolverá essa idéia de maneira genuína. Esse produto final sofrerá mutações, como numa brincadeira de telefone sem fio.
Para complicar um pouquinho ainda mais esse jogo, entram as mensagens que passamos e sequer percebemos ou conhecemos, pois estão em nosso inconsciente.
Como passamos? Através da maneira como nos colocamos frente às situações, geralmente através de nossas defesas e disfarces que encobrem nossas inseguranças.
Você pode morrer de dizer, por exemplo, para si mesmo e para o mundo, que acredita que é um bom padeiro, que acredita no seu talento, mas, se no dia a dia da padaria você se comporta sempre na defensiva, achando que o menino do balcão é invejoso e que seu assistente está querendo te sabotar, se não assume os próprios erros quando a massa desanda, se acha que a atendente do caixa gostaria de estar no seu lugar e por isso não facilita as coisas para você, nem respeita as regras da padaria em que trabalha, o espelho [o olhar do outro] não vai te devolver uma imagem ‘de potencial e talento’ e sim de alguém que não sabe trabalhar, porque uma ação vale mais do que mil palavras nesse caso.
E recebendo essa mensagem ‘de que você não sabe trabalhar’ o que pode acontecer? Em geral você acreditar nisso e ficar inseguro e acabar se auto-sabotando e/ou sentir raiva e atacar quem devolveu uma imagem tão diferente da que você enxerga.
Claro que estou me referindo a ‘um outro relevante’ e não ao jornaleiro que sequer conhecemos.
Trocando em miúdos, no país do futebol e da bunda, poderia dizer que: não basta ter bunda boa, tem que saber rebolar!
A maneira como os outros nos vêem - e conseqüentemente nos tratam – geralmente tem, sim, algum fundamento, pois nós contribuímos de alguma forma para que eles nos percebessem de tal forma.
Não se trata do outro estar certo ou errado. Trata-se de um processo dialético mais antigo que a história da carochinha que foi muito bem destrinchado por Freud.
Então, antes de atacar o outro porque ele não te vê como você gostaria e como você se vê, antes de sentir raiva do outro porque ele não te trata com o respeito que você acredita merecer e, antes que você ache que o outro é um idiota, boçal e invejoso que não te olha com o status que você acredita merecer, tente refletir de que forma [?], como [?], o seu comportamento ajudou esse outro a construir essa ‘idéia de quem é você’.
No mínimo vai ser um exercício enriquecedor de auto-conhecimento!
Lembrando que: respeito não se impõe, se conquista. E se conquista através das ações, ações, estas, que geram merecimento.
by Mônica Montone
C.o.n.v.i.t.i.n.h.o: hoje, às 21h, estarei no
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[ Obrigada pelos pousos, aves raras! ]
by Mônica Montone