foto: googleTenho dificuldade para gostar de contos. Não que os menospreze ou acredite que sejam os primos pobres da literatura, o que me afasta desse tipo de leitura, creiam, é a ausência de segundo capítulo. Chego a sentir raiva de alguns autores por interromperem a vida de certos personagens em não mais do que 30 páginas.
É como se uma possível história de amor tivesse sido interrompida durante os três primeiros meses da paixão, do reconhecimento, do entrosamento, da latência.
Alguns contos mereciam, sim, se tornarem ao menos uma novela, assim como algumas histórias a dois mereciam, sim, se tornarem algo mais do que apenas ‘sonho de uma noite de verão’.
O antinarciso, de Mario Sabino [editora Record], me deixou com raiva. Cada conto valia uma novela, uma peça, um romance, de tão bons.
Entre um conto e outro o mesmo fio condutor: a pseudo-proteção do ‘poderia-ter-sido’ que todo narciso usa para se defender do medo de saber-se imperfeito.
Não tentar é não falhar, uma das máximas exploradas no livro como na página 40:
‘O que talvez pudesse ter sido era uma abstração, que permanecia como perpétua possibilidade apenas num mundo de especulação’.
Sabino se coloca no livro não como apenas um narrador, mas como uma espécie de psicanalista que tem compaixão por seus pacientes.
‘Se não havia conseguido ser alguém para o mundo e para si próprio, não seria ninguém apenas para o mundo, seria ninguém também para si próprio’...[pg.67]
E eis que no conto ‘Não é bem assim’ ele mata a charada dos angustiados de plantão: ‘toda aquela angústia inextinguível também era uma forma de diferenciar-se, de descolar-se da massa, de ser considerado especial, de ser por vezes odiado, o que é outra maneira de ser admirado’.
Mas é no conto ‘A porta’ que todos os demais se encontram.
‘Havia passado incólume por muitas portas: as portas que o fecharam no escuro; as portas que lhe revelaram a claridade; as portas atrás das quais entreouvira; as portas que não lhe permitiram escutar [...] as portas que lhe presentearam a solidão [...]. Quanto àquela porta, já não tinha certeza. Ela lhe causava medo. Medo de não poder continuar a ser o que era se a encarasse’. [pg. 71]
O antinarciso é daquelas leituras que nos fazem rir de nós mesmos. É daquelas leituras que devoramos e sentimos pena quando acaba. Eu comi as 127 páginas em poucas horas e nem precisei de sal de frutas depois. Experimentem.
By Mônica Montone

O antinarciso
Mario Sabino
Editora Record
127 páginas
preço: R$27,00
O.b.r.i.g.a.d.a as queridas Ciça e Lulu pelo carinho e por ajudarem a apresentar meu novo filhote ao mundo......................
para ouvir faixas do meu disco, aqui
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para twittar, aqui
para conhecer melhor, aqui
[ obrigada pelos pousos, aves raras, e boa semana para todos! ]
by Mônica Montone






























28 comentários:
Recomendação anotada.A distinção entre contos e paixões efêmeras é muito lúcida.São comentários preciosos os seus!
Seu clipe não para de tocar aqui em casa.Ele tem deixado o pessoal daqui muito orgulhoso!
Bjs
André Nóbrega.
quiçá o escritor não queira completar o texto, deixar ao leitor o ensejo de o continuar.
Ahh Boa Dica!!!
Já estou cheia de apetite!!!rs
:D
Beijos Queriiida!!!
KAKAKA!! Eu sinto o mesmo com alguns textos, vou ler e depois voilto palpitar...beijuuu
Veja só, cara Mônica, o que me me atrai no conto é justamente a capacidade do autor de dizer o essencial em poucas páginas. Claro que há os que não conseguem. De todo modo, respeito o seu ponto de vista. Um beijo e uma excelente semana.
.
Mesmo eu sabendo que cada um lê
e interpreta a seu bel prazer
atrevo-me dizendo que não gostei
da coleção de historietas de O
Antinarciso; achei um tanto
depressivas.
Perdoe-me se você não perguntou
nada e eu saí tropeçando nas
minhas próprias pernas...
silvioafonso.
.
Bela resenha, Mônica. E bela reflexão sobre os contos, também. :) Boa semana.
fiquei curiosa para ler..
boa semana, flor!
beijim..
Como é bom ter você em meu blog!!!
Beijos e ótima semana!!!
Vc merece todo sucesso do mundo Mônica.
Big Beijos
Quem conta/lê um conto aumenta um ponto...adooro! Crônicas e contos...falando em livro, acabei de ler "A mentira"de Nelson Rodrigues...uhu!! Adorei!!
Deixo a dica! ;)
Quem conta/lê um conto aumenta um ponto...adooro! Crônicas e contos...falando em livro, acabei de ler "A mentira"de Nelson Rodrigues...uhu!! Adorei!!
Deixo a dica! ;)
Todo anti-qualquer-coisa tem um desenvolvimento construtivo de personalidade peculiar em todas dimensões, talvez mais interessante até do que os que o opõe... confuso, não?
Dica anotada.
Jota Cê
Menina, então por que você não faz a tua novela apartir de um conto?
As vezes, a graça não é dar uma continuação totalmente imutavel, mas sim a pessoa dar a continuação que ela quer...
Fique com Deus, menina Mônica Montone.
Um abraço.
vou experimentar, pode deixar.
bj
Como gosto muito de ler vou levar em consideração sua recomendação. Não estou habituado a ler contos, mas gosto de qualquer tipo de leitura.
Beijos
Qrda, um bj, uma flor, Laura
Agora entendo pq não lê meus continhos mínimos :)
pois eu adoro deixar o leitor acabar a história.
Mônica: simplesmente amei suas músicas...vc canta muito bem...que voz marcante...Sucesso total!!!
Acho que tem razão...mas muitas histórias...são mais curtas que um conto...e outras se porlongam por tantas e tantas páginas...sem nem ao menos terem valido a pena!!!
Bjs e obrigada pelo carinho no meu Cotidiano.
Acho que tem razão...mas muitas histórias...são mais curtas que um conto...e outras se porlongam por tantas e tantas páginas...sem nem ao menos terem valido a pena!!!
Bjs e obrigada pelo carinho no meu Cotidiano.
somos duas então.. rsrs
beijo, linda!
Nada como uma dica
De Mônica
Da fina crônica
Das que pinica
Enquanto o mundo se complica
Muda a tônica
E deixa até a vaidade
Normalmente tão estriônica
Afônica
Ante um dissecação literária de verdade...
Maravilhosa dicas!
Anotado.
Beijos
Nossa descobri seu Blog por acaso, (existe acaso?), e definitivamente me APAIXONEI. Nem a diferença espacial (eu Moro no Amapá) é capaz de separar a sintonia que sinto quando leio seus textos, poemas... Sinto q Vc não fala comigo. Fala Com a minha Alma.... e agradeço-te por isso.
Saibas q Tens um Fã No Extremo Norte deste nosso país de dimensões continentais, e q por causa dessa dimensão, provavelmente nunca nos encontraremos. mas que sinto vc falar próximo ao meu ouvido ao ler o fina Flor.
Bjus
tbm tenho um blog. claroooo nem de longe lembra o seu, (nao tenho alma de artista. mas ja tem textos eus por lá. http://palavrasquaseinventadas.blogspot.com/
Continua com Deus
Adoro esse livro! Tem texto novo no Sub Mundo. Bjus.
http://submundosemmim.blogspot.com
Há contos... e contos...
Até há (ou pelo menos havia)
os contos de réis...
bjs
Nos bons contos, fico com uma certa insatizfação, muito parecida com a sua.
Não li esse livro do Mário sabino. Mas, a julgar pela sua anãlise, trata-de um bom livro.
Querida amiga, um beijo.
O texto que você gostou, O Doido da Garrafa, é um livro de contos { http://visaoarte.blogspot.com/2010/02/o-doido-da-garrafa-de-adriana-falcao_25.html }.
Também o li em poucas horas, entre um clássico e outro no DVD.
Gosto de contos. São histórias que deixam nossa imaginação solta... por que não escrever as próximas linhas dessas histórias fascinantes?
bjs e obrigada pela torcida :*
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